Organização Mundial de Saúde quer eliminar a tuberculose até 2050
No século XXI a tuberculose continua a ser um problema grave de saúde pública a nível mundial. A OMS estima que 1,8 milhões de pessoas tenham morrido com tuberculose em 2015, entre as quais 400 mil estavam infetadas com o VIH. Em 2016 são estimados 10,4 milhões de novos casos de tuberculose no mundo, estima-se que cerca de um terço da população mundial está infetada.
Um novo relatório publicado pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controle das Doenças (ECDC) e a OMS para a Europa revela que o número de novos doentes com tuberculose diminuiu a uma taxa média de 4,3% ao ano nesta região. Em Portugal tem-se verificado uma descida continua, sustentada, sendo a taxa média anual de diminuição dos casos de tuberculose de 6,7%. No entanto, esta tendência é insuficiente para acabar com a epidemia da doença até 2050, conforme está previsto na estratégia “stop tuberculose” e nos objetivos de desenvolvimento sustentável. O objetivo da Organização Mundial de Saúde é a eliminação da tuberculose até 2050 , o que significa ter menos de um caso por ao por 1 milhão de habitantes.
A transmissão da doença faz-se quase exclusivamente por via aérea, por isso algumas medidas simples podem reduzir o risco de transmissão – proteger a boca no momento da tosse, manter os espaços bem ventilados, o doente deve usar máscara na fase inicial do tratamento.
Na maior parte dos casos a doença afeta o pulmão, e só estes doentes com lesões pulmonares e bacilos na expetoração transmitem a doença. Quando estes doentes tossem, falam, cantam, espirram os bacilos são eliminados em suspensão nas partículas e inalados pelos indivíduos que contatam com o doente.
O risco de alguém ficar infetado ou de adoecer quando em contato com doente com tuberculose bacilífera depende de: fatores relacionados com o bacilo, sobretudo do grau de virulência de cada estirpe; do tempo de exposição – em média 8 ou 40 horas de contato próximo, conforme o número de bacilos na expetoração; do estado de imunidade da pessoa exposta – maior risco se crianças com menos de 5 anos, portadores de doenças que diminuem defesas imunológicas ou da utilização de medicamentos imunossupressores; das condições em que ocorre a exposição diminuindo o risco de transmissão se o contato ocorre em espaços abertos, bem ventilados.
De entre os contatos próximos com boa resposta imune só cerca de 30 % têm risco de ficarinfetados e destes apenas 10% têm risco de adoecer ao longo da vida. Há grupos com maior risco de evoluir para doença como é o caso de doentes imunodeprimidos e grupos de populações vulneráveis como sem-abrigo, consumidores de droga, reclusos e infetados com o vírus da SIDA.
O diagnóstico de tuberculose na forma pulmonar é muito simples, e a doença pode ser confirmada em horas, implica realizar uma radiografia do tórax e uma colheita de duas amostras de expetoração. Em poucas horas podemos ter a certeza do diagnóstico, saber se o bacilo é sensível aos fármacos e iniciar tratamento. O tratamento é prolongado, sempre superior a 6 meses.
Os contatos dos doentes que são identificados como tendo corrido o risco de ser infetados devem ser rastreados e se forem identificados testes positivos devem fazer tratamento preventivo no sentido de prevenir o desenvolvimento de doença no futuro.
O controlo da tuberculose e a sua eliminação dependem muito da ação dos profissionais de saúde mas sem uma melhoria da acessibilidade aos serviços de saúde, sem politicas de erradicação da pobreza e de diminuição de desigualdades, sem inovação e investigação em tuberculose nunca conseguiremos atingir o objetivo de eliminação da doença.