Reduzir a dor

Nutracêuticos na Osteoartrite

Atualizado: 
13/10/2015 - 16:02
A osteoartrite é a forma de artrite mais frequente e que se associa à incapacidade e redução da qualidade de vida. A prevalência da osteoartrite aumenta com a idade, indo de menos de 1% antes dos 30 anos de idade até mais de 50% em indivíduos com 60 ou mais anos.

Não havendo tratamento curativo para a osteoartrite, a terapêutica deve ser individualizada e destina-se à redução da dor, da rigidez das articulações e à manutenção funcional das articulações.

O tratamento habitual da osteoartrite passa pelo exercício físico, terapêutica com frio ou calor, protecção da articulação, perda de peso, fisioterapia e a toma de medicamentos. Os mais vulgarmente utilizados são os anti-inflamatórios não esteróides (AINE) e o paracetamol. Apesar dos AINE serem efectivos no alívio da dor associada à osteoartrite possuem reacções adversas frequentes e não são capazes de reverter a doença.

Actualmente tem-se verificado uma tendência para a utilização de nutracêuticos destinados a reduzir a dor e o desconforto que a osteoartrite ocasiona. Os nutracêuticos são definidos como alimentos funcionais, sendo produtos naturais ou parcialmente naturais com algum efeito terapêutico ou com benefícios para a saúde, tal como a capacidade de prevenir ou tratar uma doença. São geralmente bem tolerados e seguros.

Os nutracêuticos recentemente utilizados na osteoartrite são a glucosamina, a condroitina, abacate, soja e diacereína. Destinam-se ao alívio da dor associada à artrite, tendo sido demonstrado efeito ligeiro a moderado no alívio dos sintomas da osteoartrite. Note-se contudo que existem medicamentos comercializados que possuem glucosamina, diacereína e condroitina.

Medicamentos como o sulfato de glucosamina e o sulfato de condroitina estimulam a produção de componentes da cartilagem e têm efeito no alívio da dor e da função, e possivelmente um efeito benéfico sobre a lesão estrutural. Devem ser tomados por períodos longos de tempo, pois o seu efeito não é imediato. 

A diacerina estimula a síntese de proteoglicanos, melhora os sintomas e existe alguma evidência radiológica de melhoria estrutural da cartilagem. Existe também já alguma evidência de que as vitaminas, nomeadamente a C, a D e a E, possam ter algum efeito benéfico sobre a dor e possivelmente sobre a progressão da lesão estrutural. 

Surgiu recentemente um novo nutracêutico que está em estudo na osteoartrite, é um derivado do colagénio tipo II desnaturado, derivado da cartilagem do esterno do frango ou de origem bovina. Este produto demonstrou alguma eficácia no tratamento da artrite reumatóide e, estudos em animais e no homem mostraram alguma efectividade no tratamento da osteoartrite tendo induzido alívio da dor durante o período de tratamento. O suplemento de colagénio tipo II melhorou as actividades diárias ocasionando melhoria na qualidade de vida dos doentes com osteoartrite.

Dado que todos os medicamentos possuem algum grau de insegurança, houve recentemente conclusões sobre estudos dirigidos ao uso da diacereína na osteoartrite, que foram divulgados pelo Infarmed e que se transcrevem.

Infarmed. Diacereína - Restrições de utilização. Circular Informativa. N.º 067/CD/8.1.7. de 21/03/2014
A diacereína é um medicamento usado no tratamento de doenças como a osteoartrite (dor e inchaço das articulações). Face à revisão de segurança agora concluída e para que os benefícios da diacereína superem os riscos conhecidos, a EMA e o Infarmed recomendam o seguinte:

A diacereína não deve ser utilizada em doentes com doença hepática ou história de doença hepática. Os médicos devem monitorizar a função hepática dos seus doentes, para que possam identificar precocemente problemas hepáticos e ensinar os doentes a reconhecer os primeiros sintomas e sinais deste tipo de situações.

Para minimizar risco de diarreia grave é recomendável iniciar o tratamento com metade da dose normal (50 mg/dia) nas primeiras 2 a 4 semanas, após as quais, a dose recomendada é de 50 mg 2 vezes ao dia. O tratamento deve ser interrompido se surgir diarreia. 

Estes medicamentos não devem ser utilizados em doentes com mais de 65 anos.

Recomenda-se aos doentes que:
Se tiverem diarreia enquanto tomam medicamentos contendo diacereína interrompam o tratamento e contactem o seu médico para que este possa avaliar a situação e, eventualmente, indicar uma alternativa terapêutica.

Se tiverem mais de 65 anos e estiverem a tomar estes medicamentos, contactem o seu médico para que este possa reavaliar a terapêutica.

Se têm ou tiveram problemas de fígado não devem tomar diacereína.

Se estiverem a tomar estes medicamentos, o médico irá vigiar a sua função hepática e ajudar a identificar eventuais sinais e sintomas de problemas de fígado (tais como prurido e icterícia). 

Bibliografia
David C. Crowley, Francis C. Lau, Prachi Sharma, Malkanthi Evans, Najla Guthrie et al.  Safety and efficacy of undenatured type II collagen in the treatment of osteoarthritis of the knee: a clinical trial. Int. J. Med. Scic. 2009; 6(6):312-321.

Autor: 
Prof. Doutora Maria Augusta Soares
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
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