Algarve e Santarém

Greve dos enfermeiros e profissionais de saúde com elevada adesão

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses considerou que a greve que hoje termina em Santarém dignificou a classe e deu visibilidade às suas reivindicações. Já no Algarve a acção foi considerada “bastante visível”

Helena Jorge, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), lembrou em declarações à agência Lusa, que os motivos do sindicato para a realização da greve, que teve início na terça-feira [19 de Agosto] e termina hoje [22 de Agosto] às 24:00, são o “incumprimento dos horários legais de trabalho, a exigência de uma rápida admissão de mais profissionais no Hospital de Santarém e o pagamento do trabalho extraordinário”.

Os números da adesão à greve no dia de hoje apontam para uma adesão dos enfermeiros do Hospital de Santarém de “70%, no turno desta manhã”. O sindicato estima uma adesão de “65% na terça-feira, 86% na quarta-feira e 92% na quinta-feira”.

A enfermeira e dirigente sindical considerou que a greve “foi um sucesso, pela visibilidade dada aos problemas que afectam esta classe profissional, e pelo que reflectem em termos de sintonia e partilha de preocupações, anseios e reivindicações por parte dos utentes e respectivas comissões”.

Helena Jorge disse ainda que os números de adesão à greve “mostram claramente que as reivindicações dos enfermeiros são muito justas e muito necessárias”, tendo “exigido” que a tutela “responda em conformidade com as necessidades que estão identificadas no Hospital de Santarém, para que os enfermeiros possam prestar cuidados de saúde com o mínimo de dignidade e qualidade às populações que serve”.

“Esperamos que rapidamente sejam tomadas decisões no que respeita à abertura de novos concursos de admissão”, frisou ainda a dirigente sindical, tendo lembrado que o Hospital de Santarém tem um “défice de 170 enfermeiros” num quadro geral de 570 profissionais.

 

Serviços de saúde do Algarve com adesão acima de 80%

A greve nos serviços de saúde do Algarve registou uma adesão dos enfermeiros de 100% no Hospital de Lagos, de 90% no de Portimão e de 80% no de Faro, disse o coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Em declarações aos jornalistas, Nuno Manjua fez um balanço da adesão no turno da manhã e disse que “muitos serviços estão 100% em greve, sendo que o Hospital de Lagos está 100% em greve, o de Portimão esta manhã estava perto dos 90% e o hospital de Faro andava perto dos 80%”.

Rosa Franco, do Sindicato da Função Pública do Sul, referiu, entretanto, que “a adesão da administração pública à greve nos três hospitais” que integram o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) - Faro, Portimão e Lagos – “ronda os 85/90%”.

A greve está a ser, segundo o coordenador do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) do Algarve, “bastante visível” e “ao longo do dia tem-se podido reparar, nas consultas externas, que as pessoas têm tido muitas dificuldades e muitas das consultas, a maior parte das consultas, não se têm realizado”.

“No Bloco Operatório também só as cirurgias de urgências estão a ser realizadas e estamos a ter um grande impacto em termos desta greve”, disse Nuno Manjua, acrescentando que a greve “é uma acção de todos os profissionais da saúde, não é exclusiva dos enfermeiros”, e é “um dia de luta pela saúde no Algarve”.

“Existe muita dificuldade em termos de acessibilidade aos cuidados de saúde às pessoas, quer nos cuidados de saúde primários, quer nos hospitais, precisamente por haver falta de profissionais, de viaturas, de algum material, medicação. É uma situação completamente insustentável, está montado o caos no Algarve e os principais responsáveis continuam a assobiar para o lado, não encontram as soluções que precisamos que sejam urgentes”, criticou o dirigente do SEP.

Fonte: 
LUSA
Jornal de Notícias Online
Nota: 
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