E depois de um Acidente Vascular Cerebral?

Em Portugal, cerca de 6 pessoas sofrem um Acidente Vascular Cerebral (AVC) por hora, dos quais 3 são fatais. No Dia Nacional do Doente com AVC, assinalado a 31 de março, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) relembra os princípios básicos inerentes à recuperação deste flagelo que afeta, todos os anos, milhares de Portugueses conduzindo, não só, a uma elevada mortalidade como a incapacidade significativa.
No seguimento de um AVC, a reabilitação neuromotora é um processo essencial, e complexo, no restabelecimento das capacidades motoras, e cognitivas dos doentes, permitindo otimizar a qualidade de vida.
Na base do AVC podem estar a hipertensão arterial, a fibrilhação auricular e a doença aterosclerótica, também responsável pelo enfarte do miocárdio, a causa número um de mortalidade na Europa. Também nos doentes com enfarte, a recuperação cardiovascular, designada por Reabilitação Cardíaca, é responsável pela diminuição do risco de recorrência de complicações cardíacas futuras.
Para uma otimização de resultados, a equipa de reabilitação cardiovascular deve ser multidisciplinar, incluindo a integração de médicos especialistas em Cardiologia, Fisiatria, Medicina Interna, Fisioterapeutas, Enfermeiros, Nutrição, Assistentes Sociais e Psicólogos.
A reabilitação cardiovascular permite:
- Reduzir a mortalidade cardiovascular;
- Minorar a reincidência dos eventos cardiovasculares (como o enfarte do miocárdio);
- Melhorar a qualidade de vida;
- Restabelecer a capacidade física (e cardiovascular);
- Diminuir o impacto psicológico da doença (ansiedade e depressão);
- Definir um programa de atividade física/neuromotora de recuperação ajustado às condições individuais do doente.
Para a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, no seguimento de um AVC, tal como no enfarte, é essencial que todos os doentes disponham de um acompanhamento multidisciplinar, no processo de reabilitação cardiovascular. Apenas assim, será possível capacitar os doentes e dar as respostas mais adequadas às suas necessidades.
“A reabilitação cardiovascular abrange não só a capacidade funcional mas também a componente educacional e controlo dos fatores de risco da doença cardiovascular. Através da reabilitação cardiovascular oferece-se, assim, suporte psicológico porque muitos doentes cardíacos sofrem de depressão e ansiedade. Em termos de qualidade de vida, mortalidade e sintomas, os programas de reabilitação cardiovascular estão cientificamente comprovados como sendo altamente benéficos para os doentes e as sociedades em que estão inseridas”.
Assim esclarece a Prof. Ana Abreu, coordenadora do Grupo de Estudos de Fisiopatologia de Esforço e Reabilitação Cardíaca (GEFERC), da SPC, a importância da reabilitação cardiovascular na recuperação dos doentes cardiovasculares.