Avanços tecnológicos permitem a avaliação quantitativa do RNA com aplicações promissoras
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“Desde os anos 80, têm sido desenvolvidos esforços para conseguir medir quantitativamente o DNA (ácido desoxiribonucléico) e o RNA (ácido ribonucleio), através de uma combinação de técnicas: a PCR (polymerase chain reaction - reação em cadeia pela polimerase) e a citometria de fluxo”, salientou o especialista. “No entanto, o paradigma mudou em 2012, com o aparecimento de duas plataformas inovadoras que permitem esta avaliação”, continuou.
Paul Wallace explicou que atualmente, estão disponíveis no mercado duas plataformas para a avaliação do RNA através da citometria de fluxo convencional: SmartFlareTM Live Cells mRNA Detection, comercializada pela Millipore e PrimeFlowTM RNA Assay, comercializada pela Affymetrix/eBiosciences. “Ambas as plataformas permitem avaliações correlacionadas do nível de expressão da proteína da célula (tanto à superfície da célula como intracelular) e da atividade de transcrição celular”.
As aplicações da avaliação do RNA através da citometria de fluxo são várias, desde a carga viral, análise de células raras, biologia de células estaminais e epigenética.
A citometria de fluxo, através de uma interação tripla entre sistemas de fluídos, ótica e eletrónica, permite uma análise multiparamétrica, em simultâneo, e quase em "tempo real" de partículas tão diversas como células, esferas, microvesículas ou microrganismos. A possibilidade de, para além da sua caracterização, as células, bem como outro tipo de partículas, poderem ser separadas e isoladas de acordo com as suas propriedades específicas (Cell Sorting), colocam a Citometria de fluxo num local de destaque em vários campos da ciência.
O Congresso da Sociedade Ibérica de Citometria é um evento bianual que, dando relevo ao trabalho realizado no contexto ibérico, reúne participantes de todo o mundo. “Este encontro é fundamental para harmonizar aquilo que é possível na clínica e, igualmente, para aumentar o intercâmbio de tecnologias e conhecimentos, contribuindo para melhorar a rede de contactos dos investigadores, que é crucial em qualquer projeto de investigação, e sobretudo para o avançar do conhecimento científico”, afirmou a Dr.ª Catarina Martins, presidente do Comité Organizador do Congresso.