Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica assinala-se a 17 de novembro

Pandemia agravou atraso no tratamento e diagnóstico de doentes com DPOC

O Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), é este ano assinalado em Coimbra com uma conferência e exposição comemorativa subordinada ao tema 50 anos da Pneumologia em Coimbra: da Clínica à Ciência. A ter lugar hoje, às 10h00, no Grande Auditório dos HUC-CHUC, este é um espaço que colocará em debate questões relacionadas com a DPOC, a evolução epidemiológica em Portugal e o impacto que a Pandemia teve no tratamento e diagnóstico desta patologia. Esta é uma iniciativa que conta com a participação da RESPIRA - Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas, da Fundação Portuguesa do Pulmão e da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Considerada uma das doenças respiratórias mais subdiagnosticadas, sabe-se que a DPOC que afeta cerca de 14% dos portugueses com mais de 40 anos. Atualmente mais de 80% dos doentes com DPOC são fumadores, pelo que a sua sintomatologia acaba por ser desvalorizada por doentes e médicos. A tosse, a expetoração e a fadiga são queixas que as pessoas associam ao hábito tabágico.

A responsável da RESPIRA, também ela com DPOC, alerta para a necessidade de não se desvalorizarem determinados sintomas: “Há quem esteja anos a queixar-se de tosse e de cansaço sem ter acesso a uma espirometria. Note-se que um diagnóstico precoce permite que o doente possa iniciar o tratamento adequado o quanto antes, de modo a que o impacto nas tarefas do dia-a-dia seja minimizado.”

José Alves, Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, acrescenta ainda que na altura em que os doentes manifestam os primeiros sintomas (falta de ar, tosse ou expetoração), a doença já está avançada. “As pessoas são doentes ainda antes de terem sintomas, porque estes só se manifestam quando há uma perda da função respiratória em cerca de 40 por cento”, explica.

Por se tratar de uma doença com um forte carácter evolutivo, com tendência para o agravamento dos sintomas, os profissionais de saúde chamam a atenção para o impacto que a pandemia teve no diagnóstico e o tratamento de doentes. Para Carlos Robalo Cordeiro “não só é preocupante perceber que houve uma diminuição de cerca de 15% de novos diagnósticos de doentes com DPOC, como constatar que se realizaram menos 30% de atos complementares de diagnóstico. É importante recuperar estes doentes que ficaram sem acesso aos cuidados de saúde, de modo a evitar o agravamento de uma doença que necessita de ser vigiada e controlada”.

Organizado pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e pela Associação de Estudos Respiratórios, o encontro conta ainda com a Inauguração da exposição comemorativa dos 50 anos do Serviço de Pneumologia, no átrio dos HUC- CHUC e com a Apresentação do livro de Homenagem ao Prof. Doutor António José de Amorim Robalo Cordeiro, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia que desta forma homenageia o médico, docente, investigador e uma das mais notáveis referências na medicina em Coimbra, a nível nacional e Internacional. António José de Amorim Robalo Cordeiro foi Diretor do Serviço de Pneumologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, diretor do Centro de Pneumologia da Faculdade De Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), tomando a iniciativa da criação do Centro de Imunologia na mesma instituição.

Fonte: 
Multicom
Nota: 
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Foto: 
Faculdade De Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC)