Conheça os vencedores do Prémio Missão 70/26

Gamificação a inteligência artificial ao serviço da literacia em hipertensão

 Uma plataforma que integra tecnologias como a inteligência artificial e a gamificação para tornar o utente de saúde um agente de literacia e um projeto que se socorre de um sistema de pontos e descontos para aumentar a literacia na área da hipertensão foram os dois vencedores da 2ª edição do Prémio Missão 70/26, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), com o apoio da Servier Portugal, dedicada à Literacia em Hipertensão e que este ano obteve 40 candidaturas validadas.

O objetivo, distinguir ideias inovadoras capazes de contribuir para melhorar o conhecimento e a gestão da hipertensão arterial em Portugal, foi, segundo Rosa de Pinho, Presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), cumprido. “O balanço é muito positivo. Tivemos a maior parte das candidaturas de equipas jovens e muitos médicos de família, assim como projetos feitos em articulação e parceria com as farmácias, que também é uma mais-valia.”

“Uma das coisas que eu tenho defendido sempre é o trabalho de equipa no seguimento do doente hipertenso. Precisamos de outros profissionais de saúde envolvidos, como os enfermeiros e as farmácias. E cada um destes projetos tem esse propósito, de envolver vários atores, que depois articulam com a comunidade. São projetos muito válidos, ideias excelentes”, acrescenta.

O primeiro prémio, atribuído à plataforma ‘Sem Pressão, Sempre São’, destinada aos utentes, mas também aos profissionais de saúde que os acompanham, apresenta várias funcionalidades - um jogo ‘Sem Pressão’, que incentiva o utilizador a aprender através de desafios e recompensas; uma monitorização personalizada, um assistente virtual, entre outros -, para, como explica uma das suas autoras, Rita Abecasis, especialista em Medicina Geral e Familiar, se aliar “à tecnologia recente para enfrentar o desafio da hipertensão”.

Facilitar o acesso a uma informação de saúde de qualidade, fazer dos doentes agentes ativos da sua própria saúde e melhorar o seu acompanhamento de uma forma acessível e divertida são os grandes objetivos deste projeto, para o qual este prémio, acrescenta Rita Abecasis, “permite que ganhe visibilidade e abre portas a colaborações futuras, para conseguirmos transmitir a ideia de que a hipertensão é um verdadeiro obstáculo a combater e que fazê-lo não tem de ser difícil”.

No 2º lugar ficou o projeto BPM - Basear, Promover, Mudar, desenvolvido por Margarida Rabaça, Nutricionista, e por Hugo Alexandre, Engenheiro Biomédico, uma ideia que, segundo os autores, pretende ser “um ecossistema onde a literacia deixa de ser um conceito distante e passa a ser algo presente no dia-a-dia das pessoas”. Para isso, utilizam uma abordagem “dinâmica, acessível e recompensadora”, suportada em três pilares: ‘Basear’, ‘Promover’ e ‘Mudar’.

O primeiro - Basear - visa “uma consciencialização e captação da atenção da população através de experiências imersivas de inteligência virtual, que permitam a visualização dos efeitos da hipertensão arterial no corpo humano”. Com o segundo pilar, a ideia é “incentivar escolhas mais saudáveis através da implementação de um mecanismo de incentivos:  as opções mais equilibradas serão recompensadas com base num sistema de pontuação, medicamente validado”, com os pontos a poderem ser convertidos em benefícios concretos, como descontos em consultas de nutrição, adesão a ginásios ou serviços gratuitos. Tudo isto para atingir a mudança, “onde pretendemos consolidar hábitos saudáveis através da criação de uma plataforma digital interativa”.

Foram, ainda, distinguidos dois projetos com menções honrosas:

- “A(tensão): alerta silencioso que revela o futuro”, que utiliza realidade virtual para, como refere Rui Rodrigues, especialista em Medicina Geral e Familiar e um dos seus autores, “as pessoas terem a oportunidade de vivenciar, vendo-se a elas mesmas, o impacto das suas escolhas diárias na saúde cardiovascular, através de uma aprendizagem mais envolvente e potencialmente mais eficaz”, terminando com um estímulo às mudanças de comportamento.

- ‘HipertArt’, um projeto desenvolvido por Sara Leite, especialista em Medicina Geral e Familiar, e por Inês Trindade, Interna de Medicina Geral e Familiar na USF Anta, que, segundo as suas autoras, “utiliza uma abordagem digital e inovadora e permite aumentar a literacia na hipertensão, facilitando o acesso a informação clara e baseada na evidência”.

Recorde-se que o vencedor arrecadou um prémio de 15.000€, tendo o 2º lugar conquistado 5.000€ e cada uma das menções honrosas uma distinção no valor de 1.500€ cada.

Fonte: 
Guesswhat
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
Pixabay