Coronavírus: variante inglesa é mais contagiosa, mas não é mais perigosa

De acordo, com estes dois estudos as pessoas infetadas com a mutação conhecida como a variante inglesa não experimentam sintomas mais graves ou um risco aumentado de desenvolver Covid de longa duração. No entanto, os autores observaram a presença de uma carga viral mais elevada e um maior número de contágios por paciente (número R), salienta o El Mundo.
Um dos estudos, levado a cabo por equipas do University College Hospital London e pelo North Middlesex University Hospital, combina a sequenciação de todo o genoma dos vírus detetados com uma comparação entre grupos de doentes entre 9 de novembro e 20 de dezembro de 2020, altura em que aquela variante se começou a espalhar em território inglês, permitindo que comparar a evolução da doença em pessoas com diferentes variantes e calcular a carga viral de ambos os grupos.
Segundo este estudo, 36% dos doentes com B.1.1.7. ficou gravemente doente ou morreu, comparado com 38% daqueles com outra variante.
Por outro lado, os dados gerados pelos testes de zaragatoa do PCR, que permitem analisar a carga viral, revelaram uma maior presença em pessoas com a nova variante.
O segundo artigo, publicado no The Lancet Public Health, é um estudo que analisa dados relatados por 36.920 utilizadores da aplicação COVID Symptom Study, todos documentados com um teste positivo realizado entre 28 de setembro e 27 de dezembro. Estes resultados foram combinados com a vigilância do Serviço Público de Saúde, lançado para examinar as associações entre a proporção regional de infeções e a presença da variante.
Os autores estimam que a presença de B.1.1.7. num território, levou ao aumento do índice de transmissão de 1,35 em relação à estirpe original. "Ao mesmo tempo, os autores descobriram que durante os confinamentos índice de transmissão caiu abaixo de 1, mesmo em regiões onde a variante domina." Graças a estas duas grandes fontes de dados, conseguimos confirmar o aumento da transmissibilidade", explica Claire Steves, investigadora do King's College London e coautora do estudo, citada pelo El Mundo, "mas também mostrámos que b.1.1.7. respondeu a medidas de confinamento e não parece escapar à imunidade obtida pela exposição ao vírus original através da criação de reinfeções."