APDP apela a mudanças urgentes nas políticas de saúde para combater o estigma associado à obesidade

Viver com obesidade é um caminho para a vida toda e não se define pela perda de peso. É no âmbito do Dia Mundial da Obesidade, assinalado anualmente a 4 de março, que a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) apela às entidades de saúde em Portugal para a implementação de mudanças urgentes nas suas políticas, nomeadamente no que diz respeito à comparticipação do tratamento da obesidade, combate ao estigma associado a esta doença crónica, e à mudança do ambiente obesogénico atual através de intervenções que envolvam a indústria alimentar, a publicidade e os media
"A obesidade é uma doença crónica que requer uma abordagem integrada e multidisciplinar, mas ainda há muito estigma associado. Durante muito tempo, as respostas à crise da obesidade centraram-se apenas nas pessoas. É altura de mudar o foco para os sistemas que estão a falhar. Quem tem obesidade tem o direito a ser tratado como qualquer outro doente crónico, beneficiando de novos fármacos que podem mudar o curso da doença evitando complicações futuras, e isso não invalida a necessidade de politicas mais eficazes na mudança ambiental e prevenção desta pandemia.", afirma Carolina Neves, endocrinologista da APDP. "É fundamental que continuemos a trabalhar em conjunto com as autoridades de saúde para garantir que os doentes tenham acesso às melhores opções de tratamento disponíveis, incluindo terapias farmacológicas quando clinicamente indicadas."
A APDP defende que a comparticipação do tratamento da obesidade é uma medida essencial para garantir o acesso equitativo aos cuidados de saúde e reduzir o impacto da doença na saúde pública. Estudos recentes têm demonstrado que estes fármacos, além de promoverem a perda de peso, também têm benefícios significativos na prevenção e tratamento de outras doenças associadas à obesidade, como a doença hepática e a síndrome da apneia obstrutiva do sono. Dispomos de evidência robusta que demonstra que o tratamento farmacológico da obesidade reduz em 20% o risco de morte cardiovascular e eventos cardiovasculares em pessoas com excesso de peso ou obesidade sem diabetes e com histórico prévio de eventos cardiovasculares. Este dado e ainda a demonstrada redução de 19% na mortalidade por todas as causas e de 18% na insuficiência cardíaca. 1 justificam a comparticipação destes fármacos já que impactam a mortalidade e o prognóstico deste grupo de pessoas.A obesidade é uma doença complexa e multifatorial que afeta milhões de portugueses e está associada a um elevado risco de desenvolvimento de outras patologias graves, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, doença hepática e apneia do sono. Existem atualmente cerca de 2 milhões de pessoas adultas com obesidade, um valor que aumenta para 67,6% da população portuguesa quando somadas as pessoas com excesso de peso. Apesar da sua gravidade, a obesidade continua a ser frequentemente desvalorizada e estigmatizada, o que dificulta o acesso equitativo a terapêuticas eficazes.
"É essencial que a obesidade seja encarada como a doença crónica que é, que requer tratamento e acompanhamento médico adequados", frisa José Manuel Boavida, presidente da APDP, rematando: "Acreditamos que, trabalhando em conjunto, podemos melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas que vivem com obesidade em Portugal e a APDP está disponível para contribuir ativamente para a resolução deste problema de saúde pública."
A APDP apela, assim, a todas as entidades de saúde que repensem as medidas para o tratamento da obesidade, tendo em conta a evidência científica disponível e o impacto da doença na saúde pública. Este é também um passo fundamental para reduzir o peso global de outras doenças crónicas, incluindo a diabetes, as doenças cardíacas e o cancro e construir um futuro mais saudável para as pessoas em todo o mundo.