AADIC expectante sobre a implementação do Projeto de Resolução para o combate à Insuficiência Cardíaca

É estimado que uma em cada cinco pessoas hospitalizadas por Insuficiência Cardíaca seja readmitida, pelo menos uma vez no período de um ano após a alta hospitalar, por agravamento da doença, realidade que pode ter um custo anual de cerca de 27 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Neste âmbito, foi apresentado e votado na Assembleia da República um Projeto de Resolução com o objetivo recomendar medidas que visam melhorar a qualidade de vida dos pacientes e salvar mais vidas, tendo este sido aprovado por unanimidade pelos deputados no hemiciclo.
Este Projeto de Resolução propõe as seguintes recomendações ao Governo:
- Implementação de uma estratégia integrada para prevenção, tratamento e articulação entre cuidados primários e hospitalares;
- Reforço do diagnóstico da insuficiência cardíaca no Serviço Nacional de Saúde;
- Comparticipação dos medicamentos para a doença em condições similares às de outras doenças crônicas graves;
- Campanha robusta de sensibilização para aumentar a literacia sobre a doença entre cidadãos e profissionais de saúde;
- Criação de serviços hospitalares especializados, com estrutura multidisciplinar, incluindo cuidados em hospital de dia e ambulatório.
“A concretização destas medidas é fundamental para fortalecer o combate à Insuficiência Cardíaca, uma doença silenciosa cuja prevalência está a aumentar no nosso país por termos uma população cada vez mais envelhecida. Relembro que os resultados do Estudo Porthos revelaram que mais de 700 mil portugueses com idade superior a 50 anos vivem com Insuficiência Cardíaca, sendo que 90 % não sabe que tem a síndrome. A nossa Associação fica assim expectante sobre os passos seguintes que vão ser dados no seguimento da aprovação deste Projeto de Resolução”, afirma Luís Filipe Pereira, presidente da AADIC.
“Estamos cientes que os decisores políticos estão atentos ao impacto da Insuficiência Cardíaca na população e, consequentemente nas contas do SNS, e prova disso é o facto de o Governo ter aprovado, no final de 2024, uma medida que facilita o acesso a exames para diagnóstico precoce, como o doseamento de biomarcadores, evitando falsos diagnósticos e o uso desnecessário da ecocardiografia, um exame mais caro”, acrescenta.
O Projeto de Resolução N.º 723/XVI/1.ª foi elaborado pelo Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata, aprovado por unanimidade pelos deputados da Assembleia da República na sessão de dia 12 de março e publicado em Diário da República a 01 de abril de 2025.