4.ª edição da RACCI

65 projetos que fazem a diferença na vida dos cuidadores informais

A 4.ª edição da Rede de Autarquias que Cuidam dos Cuidadores Informais (RACCI), promovida pelo Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais com o apoio institucional da Merck, distinguiu, este ano, 65 projetos provenientes de diferentes pontos do país, incluindo as ilhas da Madeira e dos Açores, pelo seu desempenho e boas práticas no apoio aos cuidadores informais.

A iniciativa implementou, pela primeira vez, um sistema de classificação que reconhece a excelência, consistência e impacto das propostas, através de selos de mérito com três categorias distintas que visam tornar a atribuição do selo de mérito mais justo e criterioso junto autarquias vencedoras: “Ouro” (150 pontos ou mais), “Prata” (de 125 a 149 pontos) e “Bronze” (de 100 a 124 pontos). O projeto, que reconhece através da atribuição de um selo digital de mérito os municípios e as freguesias do território nacional português que adotem as melhores práticas e as medidas de apoio em benefício dos cuidadores informais recebeu, este ano, 70 candidaturas – o maior número até à data.

Dos 65 projetos distinguidos, 23 receberam a classificação “Ouro”, 22 foram reconhecidos com o selo de mérito “Prata” e 20 com o de “Bronze”, numa clara demonstração da crescente maturidade da Rede e da diversidade das respostas que as autarquias estão a implementar, de norte a sul do país.

“Estamos perante uma evolução significativa no compromisso das autarquias com o bem-estar dos cuidadores informais. Esta 4.ª edição marca um ponto de viragem na história da RACCI, não só pelo número recorde de candidaturas recebidas este ano, mas sobretudo pela qualidade, abrangência e inovação das respostas apresentadas. É particularmente relevante o reforço do apoio aos cuidadores informais de pessoas com deficiência e incapacidade, incluindo crianças, jovens e jovens adultos — um grupo que, em edições anteriores, nem sempre era contemplado de forma sistemática. Este ano, vemos esses públicos integrados em estratégias municipais já robustas, o que acrescenta ainda mais valor ao trabalho desenvolvido. A introdução das classificações “Ouro”, “Prata” e “Bronze” veio permitir reconhecer e valorizar o mérito das intervenções mais impactantes e inspiradoras”, sublinha Palmira Martins, Assistente Social na Associação RD Portugal - União das Associações das Doenças Raras de Portugal e membro do júri.

Entre os projetos que foram reconhecidos com a classificação “Ouro” pelo carácter inovador, integrado e sustentável das suas propostas e que alcançaram a pontuação mais elevada, destacam-se, na zona Norte o município de Ílhavo (190), na zona Centro do país, o município de Oeiras (170) e, na zona Sul o município de Odemira (156). Lisboa participou, pela primeira vez, nesta edição, e foi distinguida com o selo de mérito “Bronze” (118).

Oeiras, ílhavo e Odemira lideram ranking de pontuação

O projeto "Maiores no Cuidado", apresentado pelo município de Ílhavo, reflete um compromisso contínuo da autarquia com os cuidadores informais, oferecendo formação específica, apoio psicológico e social, ações de estimulação cognitiva, programas intergeracionais e um acompanhamento no período de luto. A sua abordagem centrada no cuidador e o envolvimento de múltiplos parceiros institucionais tornam-no um exemplo de resposta territorial de proximidade e impacto social.

No âmbito do Plano Local para as Demências, a autarquia de Oeiras disponibiliza uma rede articulada de recursos que integra consultas psicológicas, ações de capacitação, projetos como o Home 360º, Razões de Sobra, o Gabinete Cuidar Melhor, o Café Memória e diversas iniciativas com o apoio da associação de doentes Alzheimer Portugal. O seu projeto "Medidas de Apoio aos Cuidadores Informais" destaca-se pela forte componente de planeamento estratégico, inovação social e parcerias institucionais.

Com um modelo de intervenção baseado em três eixos – apoio psicológico e social, descanso do cuidador e ensino especializado ao domicílio – o projeto "Cui(DAR)+", desenvolvido pelo município de Odemira, dá resposta à realidade de um concelho com uma população idosa dispersa. Com mais de 8 mil atendimentos realizados desde o seu início, este projeto apresenta resultados sólidos e um profundo impacto na vida de quem cuida.

Lisboa estreia-se com o “Lisboa Cuida +”

A Câmara Municipal de Lisboa integrou este ano, pela primeira vez, a Rede com o projeto “Lisboa Cuida +”, desenvolvido em parceria com o Instituto Padre António Vieira, e que aposta na capacitação de técnicos, na disponibilização de conteúdos formativos e na realização de grupos focais para identificar melhor as necessidades dos cuidadores informais. O projeto inclui, ainda, o regresso do Café Memória a Lisboa, no Palácio Galveias, promovendo o apoio entre cuidadores e a partilha de experiências.

A primeira edição da iniciativa, realizada em 2021-2022, recebeu 50 candidaturas, das quais 24 foram reconhecidas com o selo RACCI. Na segunda edição, em 2022-2023, foram recebidas 54 candidaturas, com 42 autarquias distinguidas. Já na terceira edição, em 2023-2024, o número de candidaturas aumentou para 66, resultando no reconhecimento de 59.

Mais informação sobre os projetos em www.movimentocuidadoresinformais.pt.

Fonte: 
Lift
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
Pixabay