“A obesidade é um peso muito além do peso. falta atuação governamental”, salienta a bastonária

A obesidade é, efetivamente, um dos maiores desafios do século no âmbito da saúde pública, com um peso que vai muito para além da balança. E a verdade é que as implicações desta doença estendem-se a problemas de outros foros, com grandes repercussões no âmbito dos encargos económicos individuais e para o próprio Serviço Nacional da Saúde, e com consequências que se alastram a outras patologias.
As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e a obesidade encontra-se intrinsecamente associada a esta patologia. Saliente-se que um em cada três portugueses sofre de hipertensão arterial, 47% dos utentes dos cuidados de saúde primários possui colesterol elevado e aproximadamente 13% destes utentes apresenta os triglicerídeos elevados. Outro exemplo claro das consequências de um estilo de vida pouco saudável, com práticas alimentares não recomendadas, é o facto de mais de 1 milhão de portugueses, entre os 20 e os 79 anos, sofrerem de diabetes.
Para a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, “o facto de mais de metade dos portugueses se encontrar numa situação de insegurança alimentar, devido a problemas de acesso a uma alimentação adequada ou a literacia alimentar insuficiente, acrescendo o número insuficiente de nutricionistas nas estruturas públicas de saúde podem estar entre os fatores que mais contribuem para este cenário”.
O aumento do número de nutricionistas nos cuidados de saúde primários poderá ser o início do caminho para uma reversão eficiente deste cenário mas, considera a Bastonária, “importa colocar verdadeiramente a Nutrição na agenda política, pois muitas e variadas ações têm que ser encetadas, nomeadamente a implementação de um sistema integrado de vigilância alimentar e nutricional ”.
A Bastonária da Ordem dos Nutricionistas afirma que “a obesidade é um peso muito além do peso e tem faltado atuação governamental para a resolução deste problema. Promover mais políticas saudáveis transversais aos diversos ministérios deve ser prioritário, para que consigamos criar alicerces que promovam a prevenção”.