Concurso para enfermeiros especialistas e gestores só vai agravar dificuldades no SNS, diz Sindicato dos Enfermeiros
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“Este é um presente envenenado”, salienta o presidente do SE. Pedro Costa lembra que “Portugal tem mais 5 000 enfermeiros à espera de verem reconhecida a categoria de enfermeiro especialista e o concurso apenas prevê 1 383 vagas”. Sendo este um concurso aberto e de cariz nacional, o Sindicato dos Enfermeiros – SE assegura que não só os enfermeiros de uma determinada instituição podem concorrer, como também todos os outros que cumpram os requisitos mínimos, independentemente de estarem a trabalhar nessa instituição, noutra área do País ou, no limite, até fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
De acordo com Pedro Costa, “basta olhar para os exemplos do passado para ver o que espera os enfermeiros que pretendam concorrer”. E dá o exemplo do último concurso para enfermeiros chefe, aberto em 2002, o qual, “entre impugnações, recursos e contestações, só ficou concluído em 2020”. “É inadmissível que, num País onde há uma carência tão acentuada de enfermeiros, onde mais de 50% continua à espera de ser integrado na categoria correta, o Ministério da Saúde avance com um concurso tão complexo e que só irá servir para aumentar a conflitualidade entre enfermeiros”.
“Numa altura em que o Governo está já em fim de ciclo, e com a Assembleia da República dissolvida, este concurso soa a um oportunismo de circunstância criando uma nuvem de fumo sobre as reais necessidades dos enfermeiros e dos cidadãos, quando o que queremos é garantir cuidados de saúde seguros e de qualidade à população que tanto necessita”, lamenta Pedro Costa. O presidente do SE adianta que “este mesmo problema irá ocorrer com o concurso para enfermeiros gestores, em que as vagas abertas são claramente insuficientes para as necessidades do SNS”.
Em reação ao anúncio da ministra Marta Temido, o presidente do SE lamenta que “o Ministério da Saúde tenha avançado com o concurso sem consultar as estruturas sindicais ou a Ordem dos Enfermeiros, instituições que conhecem verdadeiramente os problemas e a realidade do SNS”.
“Resta-nos esperar para perceber como vão ser distribuídas as vagas por instituição, mas este é um fechar de legislatura sem verdadeiramente resolver os problemas dos enfermeiros e dos cidadãos”, conclui o presidente do SE.