Infeções contraídas em ambiente hospitalar são a causa de cerca de 25 mil mortes por ano na Europa

CeNTI em projeto que tem 4 milhões de euros para desenvolver tecnologias e métodos de diagnóstico de combate a infeções virais e bacterianas

São perto de 4 milhões de euros que estão a ser investidos no desenvolvimento de novas tecnologias e métodos de diagnóstico para ajudar a combater um dos maiores problemas de saúde pública, as infeções virais e bacterianas. Contraídas em ambiente hospitalar, estima-se que estas doenças causem, só na Europa, cerca de 25 mil mortes todos os anos. Combater a sua incidência e disseminação é, por isso, o principal objetivo de um alargado grupo de investigadores europeus que, tendo por base o estudo dos processos de adesão bacteriana e viral, visa desenvolver novos métodos de diagnóstico, mais eficientes e rápidos.

Um desafio a que aderiram 14 entidades internacionais ligadas ao mundo académico e industrial, entre as quais o CeNTI, instituto português de I&DT de referência em Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes.

Além da pesquisa microbiológica clínica, a investigação inclui estudos funcionais de adesinas [complexos proteicos à superfície das bactérias que determinam a sua capacidade de adesão aos organismos] e o desenvolvimento de novos testes e dispositivos de diagnóstico. Com estes resultados, além da prevenção das infeções, os investigadores pretendem contribuir para a definição de novos tratamentos, mais eficientes, assertivos e até personalizados. O estudo da adesão bacteriana e viral [processo de adesão de uma bactéria a células e tecidos de um organismo] tem sido, por isso, determinante na criação de novas estratégias que evitem a proliferação destas doenças.

“As bactérias e os vírus aderem a superfícies orgânicas e inorgânicas, a si próprios, e também a outras tipologias de moléculas e células, o que permite a sua colonização nos mais variados ambientes, resultando no aparecimento das infeções. Este processo inicial e decisivo de adesão é ainda uma área pouco explorada”, revelam os investigadores. “O conhecimento dos mecanismos moleculares essenciais para a sua ocorrência tem grande potencial para o desenvolvimento de novas estratégias de anti adesão, novos métodos e dispositivos de diagnóstico e tratamentos inovadores que combatam a problemática das doenças infeciosas”, sublinham ainda os responsáveis.

A investigação, que reúne cientistas e 15 estudantes de doutoramento, centra-se assim nas descobertas sobre os processos inerentes às adesinas patogénicas, nomeadamente a sua interação com hospedeiros, e no desenvolvimento de novas superfícies com anti adesividade bacteriana e dispositivos de diagnóstico de maior sensibilidade, personalizados, miniaturizados, capazes de diferenciar entre infeções bacterianas e víricas, o que irá contribuir para a redução do uso desnecessário de antibióticos. Segundo os estudiosos, na base da maioria das infeções está o (re-) surgimento de novos vírus e a resistência das bactérias aos antibióticos, pelo que reduzir a dependência desta tipologia de medicamentos é também um dos principais propósitos dos investigadores.

Com este Projeto, os jovens cientistas terão, assim, a oportunidade de transformar a sua investigação fundamental em tecnologias com um grande impacto positivo no cuidado de pacientes com doenças infeciosas. Estas descobertas terão, também, um impacto relevante no desenvolvimento socioeconómico da Europa, de acordo com os estudiosos.

Denominado ViBrANT – Viral and Bacterial Adhesin Network Training, o Projeto é uma rede intersectorial de nove instituições académicas, um instituto de investigação sem fins lucrativos, três pequenas e médias empresas e uma empresa de grande dimensão, englobando áreas científicas como a Física, Biologia Estrutural, Proteómica, Genética, Engenharia de Materiais e Nanobiossensores.

Fonte: 
LKCOM
Nota: 
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Foto: 
CeNTI