Privação de sono provoca hipersensibilidade à dor
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Um novo estudo do Centro Médico Beth Israel Deaconess em parceria com o Hospital Infantil de Boston, EUA, concluiu que a perda crónica de sono aumenta a sensibilidade à dor.
Em ratos de laboratório, foram medidos com precisão os efeitos da perda de sono crónica na sonolência e na sensibilidade para dois estímulos: dolorosos e não-dolorosos. Foram testados medicamentos padrão para as dores, como ibuprofeno e morfina, bem como estimulantes de vigília, como a cafeína. Os seus resultados revelaram um papel inesperado para a agilidade na definição da sensibilidade à dor.
A equipa começou por medir os ciclos de sono normais. De seguida, fizeram os possíveis para que os ratos permanecessem nas rodas o maior tempo possível levando à privação de sono. Este protocolo de privação de sono foi desenvolvido de modo a que não provocasse stress, pois eram-lhes dado brinquedos e atividades dinâmicas para se manterem acordados. «Semelhante ao que a maioria de nós faz quando ficamos acordados mais tempo para ver televisão à noite», diz Thomas Scammell, um dos investigadores do estudo.
Desta forma, conseguiram manter grupos de seis a 12 ratos acordados até 12 horas numa sessão, ou seis horas durante cinco dias consecutivos, monitorizando sempre o nível de sonolência, o stress e a dor. A sensibilidade foi medida pelo tempo que o animal levou até se afastar de um determinado ambiente: calor, fio pressão. Os investigadores testaram respostas a estímulos não-dolorosos como o aumento inesperado de um som.
«Descobrimos que cinco dias consecutivos de privação de sono moderado pode agravar significativamente a sensibilidade à dor ao longo do tempo em ratos saudáveis», afirma Chloe Alexandre, uma das autores.
Surpreendentemente, analgésicos comuns como o ibuprofeno não bloquearam a hipersensibilidade induzida pela perda de sono. E até a morfina perdeu a maior parte da sua eficácia. Estas observações sugerem que os pacientes que utilizam estes fármacos para o alívio da dor podem ter que aumentar a dose para compensar a eficácia perdida devido à falta de sono, aumentando assim o risco de efeitos colaterais. Por outro lado, a cafeína bloqueou com sucesso a hipersensibilidade.