Estudo indica:

Papilomavírus humano ligado a 1/3 dos casos de cancro da garganta

Resultados de um estudo revelam que um terço das pessoas diagnosticadas com cancro na garganta foi infectado com uma forma do vírus do Papimonavírus humano.

Num estudo publicado no Journal of Clinical Oncology, especialistas revelam que um terço das pessoas diagnosticadas com cancro na garganta foi infectado com uma forma do vírus do Papimonavírus humano (HPV), pois existem mais de 100 tipo de HPV. O HPV é a principal causa de cancro cervical, e o vírus é conhecido por se espalhar através do contacto genital ou oral. Os investigadores dizem que a ligação entre o vírus e a doença mostrou "resultados impressionantes".

Este estudo analisou a ligação do HPV com cancro do fundo da garganta - cancro da orofaringe, tendo sido observados os resultados dos testes de sangue recolhidos de pessoas que participaram de um grande estudo prospectivo em estilo de vida e cancro, que eram todos saudáveis no início.

Todos cederam uma amostra de sangue, quando participam do estudo, e, neste caso, os investigadores foram capazes de verificar a presença de anticorpos contra uma das principais proteínas do HPV - o E6. O E6 derruba parte do sistema de protecção das células que deveria prevenir o desenvolvimento de cancro.

Ter os anticorpos significa que o HPV já superou este sistema de defesa e provocou alterações - que podem ser cancerígenas - nas células.

Os investigadores compararam os resultados dos testes de sangue - alguns realizados há mais de 10 anos - de 135 pessoas que desenvolveram cancro da garganta com o de 1.599 pessoas sem cancro.

A equipa da Universidade de Oxford constatou que 35% das pessoas com cancro na garganta tinham os anticorpos, em comparação com menos de 1% das pessoas que estavam livres do cancro.

No entanto, esses doentes eram mais propensos a sobreviver ao cancro da garganta do que as pessoas cuja doença tinha outras causas, como uso de álcool ou tabaco.

O estudo constatou que 84% das pessoas com os anticorpos ainda estavam vivas cinco anos após o diagnóstico, em comparação com 58% daqueles sem os anticorpos.

Ruth Travis, cientista do Cancer Research UK, em Oxford, que trabalhou no estudo, disse: "Esses resultados surpreendentes fornecem alguma evidência de que a infecção por HPV-16 pode ser uma importante causa de cancro de orofaringe".

Apesar de na maior parte das pessoas o sistema imunológico oferecer protecção contra o HPV, existem duas estirpes de HPV que são mais susceptíveis de causar cancro - HPV-16 e HPV-18. O HPV-16 é supostamente responsável por cerca de 60% dos casos de cancro do colo do útero, 80% dos casos de cancro no ânus e 60% dos cancros orais.

Cerca de 1.500 pessoas são diagnosticadas com cancro da garganta a cada ano no Reino Unido, com cerca de 470 mortes em decorrência da doença.

Fonte: 
POP
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Foto: 
ShutterStock