Instituto de Investigação e Inovação em Saúde

Líder belga OncoDNA participa no Porto Cancer Meeting com análise à heterogeneidade tumoral

Heterogeneidade inter e intra-tumoral é um fenómeno bem conhecido que com a explosão da medicina personalizada se tornou um desafio. Embora a biópsia líquida seja reconhecida como uma ferramenta promissora para prognóstico, perfil molecular e monitorização da doença cancerosa, ainda se está no início da sua incorporação isolada na prática rotineira de oncologia. Esta e outras análises vão ser apresentadas pela OncoDNA, líder europeu em oncologia de precisão, no 24th Porto Cancer Meeting com o tema “Combinação da análise da biópsia sólida e líquida: insights sobre heterogeneidade tumoral”.

Segundo, Luis Alvarez, responsável pela OncoDNA em Portugal e no Brasil, “aqui analisamos a aplicação na rotina clínica de uma nova abordagem integrada que combina a análise de biópsia sólida (FFPE) e líquida (amostra de sangue) em pacientes com diferentes tipos de cancro metastático”.

A OncoDNA analisou 112 amostras de doentes metastáticos, com diferentes tipos de cancro, utilizando a solução OncoSTRAT&GO™ (OncoDNA SA, Gosselies, Bélgica) que permite i) sequenciamento de mais de 200 genes, identificação de 350 genes de fusão e avaliação do nível de expressão de dezenas de proteínas em biópsia sólida e ii) sequenciamento de mutações hotspot de um painel de 27 genes em biópsia líquida.

Assim, a OncoDNA focalizou a análise das variantes que podem ser detetadas em biópsias sólidas e líquidas. Observou-se uma concordância completa de 60,7% entre as variantes dos dois tipos de biópsias. As frequências das variantes alélicas concordantes e discordantes (VAFs) foram comparadas mostrando distribuições semelhantes, sem diferenças estatísticas significativas: valores médios de 7,8 / 9,4% (P = 0,58; teste de Mann-Whitney) e 34,9 / 25,7% (p = 0,08) , Teste de Mann-Whitney) em biópsia líquida e sólida, respetivamente.

Em conclusão, as variantes discordantes não podem ser atribuídas na sua totalidade à sensibilidade da análise e, consequentemente, devem estar associadas à heterogeneidade tumoral, baixa carga tumoral e/ou resposta ao tratamento. Segundo Luis Alvarez, “Os nossos resultados mostram a utilidade da combinação de biópsias sólidas e líquidas na prática clínica, proporcionando informação adicional em 39,3% dos casos (81,8 e 18,2% devido a variantes diferenciadas em biópsia sólida e líquida, respetivamente), resultando numa ampla caracterização do perfil molecular do tumor para uma melhor gestão da doença”.

Este estudo vai ser apresentado no 24th Porto Cancer Meeting, que se realiza nos dias 11 e 12 de maio no i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde e que será focado no tema “Liquid Biopsy: Bringing precisión medicine closer to oncology”.

Fonte: 
Filipa Ferreira da Silva
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.