Covid-19 em países de língua portuguesa

Desinformação, teorias da conspiração e rumores fortalecem reticências sobre vacinas

A hesitação em relação à vacina Covid-19 tem causado preocupação entre as autoridades de saúde, incluindo nos países de língua portuguesa. A desinformação e a disseminação massiva de informações falsas, teorias de conspiração e rumores sobre as vacinas Covid-19, além da polarização política, estão entre os principais fatores que preocupam os países, mesmo antes do início da vacinação, e fortalecem direta e indiretamente a hesitação vacinal, contribuindo para o alcance tardio da imunidade coletiva.

O estudo “Determinantes da hesitação vacinal em relação à Covid-19 em países de língua portuguesa”, publicado em meados de outubro, teve como objetivo estimar a prevalência e os fatores associados à hesitação vacinal em relação à Covid-19 em países de língua portuguesa, de modo a contribuir para a criação de estratégias mais eficazes para aumentar a aceitação da vacina. 

Tratou-se de um estudo observacional e analítico, através da colheita on-line de dados com 6.843 indivíduos de sete países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe). A taxa global de hesitação vacinal foi de 21% com consideráveis variações entre os países. 

Refletindo sobre estas descobertas, os investigadores observam que, no contexto da hesitação vacinal relacionada com a Covid-19, as redes sociais contribuem para a criação de bolhas afetivo-informacionais de desinformação guiadas por uma lógica algorítmica, em que as pessoas procuram informações que reforcem os seus preconceitos e aliviem os seus medos e tensões, mesmo que sejam baseadas em erros. 

Características específicas relacionadas com o género, a idade e vulnerabilidades sociais e cognitivas, somadas ao conhecimento adquirido pouco fundamentado e/ou mal representado sobre a vacina Covid-19, precisam ser consideradas no planeamento das campanhas de vacinação, conclui este estudo. “É necessário responder de maneira oportuna, rápida e precisa aos desafios colocados pela hesitação vacinal”, consideram ainda os autores do estudo. 

 

Fonte: 
Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT)
Nota: 
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