"Melhor ano de sempre" na recuperação de tempos de espera no Médio Tejo
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Manuel José Soares disse que o balanço de 2016 e as perspetivas para 2017 foram apresentadas pela administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) à Comissão de Utentes da Saúde do Médio (CUSMT) numa reunião realizada na quarta-feira, na qual foi feito ainda o ponto de situação sobre os recursos humanos, sendo salientada a dificuldade em contratar médicos para as especialidades de cardiologia e anestesiologia.
Em relação à redução dos tempos de espera em cirurgias e consultas externas, Manuel Soares afirmou que o CHMT conseguiu em 2016 ser das unidades com melhores resultados a nível nacional, o que foi possível graças a uma melhor organização dos serviços e aproveitamento de recursos, humanos e materiais.
“Foram realizadas quase mais mil cirurgias do que em 2015” e, na oncologia, “os prazos estão próximos de ficar abaixo do estabelecido”, disse, apontando, contudo, a necessidade de o CHMT melhorar a comunicação dos tempos de espera, seja investindo em ‘software’ que permita a consulta dessa informação na sua página na Internet ou conseguindo que a administração central crie uma funcionalidade que permita essa consulta hospital a hospital.
O porta-voz dos utentes salientou o anúncio da contratação de “seis a sete” médicos para as especialidades de ortopedia, oftalmologia, medicina interna e pediatria, que, sobretudo nestas duas últimas, vem “estabilizar as especialidades nas três unidades hospitalares” do CHMT (Torres Novas, Tomar e Abrantes).
Valorizando “o esforço dos trabalhadores, que vestiram a camisola”, Manuel Soares destacou dificuldade de contratação de especialistas, apesar da tentativa do Governo de colocação de médicos nas chamadas zonas carenciadas, sendo que o CHMT se candidatou a 15 especialistas do contingente de 150 aberto a nível nacional.
O porta-voz da CUSMT saudou ainda o anúncio de um programa adicional para a realização de cirurgias no segundo semestre do ano em Tomar, unidade que irá igualmente passar a dispor de uma TAC (Tomografia Axial Computorizada) e de um reforço dos técnicos de fisioterapia.
Para a CUSMT, um dos aspetos essenciais para o corrente ano será conseguir-se que os serviços de urgência em cada uma das três unidades possam dar autorização de internamento direto nas diversas especialidades, o que atualmente só acontece em Abrantes.
O objetivo é “haver poucas diferenças entre as três Urgências”, disse, salientando que a requalificação do serviço de Urgência de Abrantes deverá ficar concluída este ano.
A CUSMT continua a insistir na articulação entre os cuidados primários e os hospitalares, sublinhando Manuel Soares os “passos concretos que já foram dados no aproveitamento dos meios complementares de diagnóstico”, como a realização de análises, raio x ou eletrocardiogramas.
No próximo dia 20, a CUSMT vai reunir-se com a coordenação do Agrupamento de Centros de Saúde para “aprofundar” esta temática, sendo expectativa que, como já acontece em alguns projetos piloto a nível nacional, a troca de informações entre clínicos das especialidades e os médicos de família possa avançar, pelo menos, em alguns centros de saúde, afirmou.
Manuel Soares sublinhou o facto de a administração do CHMT, liderada por Carlos Andrade, reconduzida pelo Governo, estar agora empossada, podendo prosseguir com o projeto que iniciou há quatro anos e que tem permitido a recuperação de serviços essenciais às populações.
“Vivemos tempos de esperança, mas não de ilusões”, declarou, apontando os constrangimentos financeiros, nomeadamente europeus, que tornam difícil fazer muito mais, a não ser que “haja vontade política para que o setor da Saúde mereça mais atenção”, com todos os ganhos que esse investimento tem a médio e longo prazo.